Residência na Ilha das Galinhas - Arquipélago dos Bijagós 

"Ilhas - uma constelação" fez uma residência de pesquisa e criação, entre 17 de Fevereiro e 3 de Março, com passagem pelo Arquipélado dos Bijagós - Guiné Bissau, em particular a Ilha das Galinhas, um arquipélago com áreas protegidas de Parque Natural que pertencem à reserva da biosfera. Através de uma residência independente, organizada pela  Anabela Mendes - germanista e professora doutorada do Departamento de Estudos Germanísticos na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi desenvolvido um ideário da viagem influenciado pelas crenças animistas que estruturam o povo Bijagó e a sua relação com o sagrado e olhar a matéria é habitada de espíritos e magia.

"Islands - a constellation" participated in a research and creation residency, between February 17 and March 3, passing through the Bijagós Archipelago - Guinea Bissau, in particular Galinhas Island. Bijagós is an archipelago with protected areas of Natural Park that belong to the biosphere reserve. Throughout an independent residency, organised by Anabela Mendes - Germanist and PhD professor at the Department of German Studies at the Faculty of Letters of the University of Lisbon, an ideology of the journey was developed, influenced by the animist beliefs that structure the Bijagó people and their relationship with the sacred, looking at matter inhabited by spirits and magic.

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Viagem às Selvagens

Vou numa viagem relâmpago até às Ilhas Selvagens,  acompanhada pelos vigilantes da natureza, polícia marítima e exército da marinha. Somos 3 mulheres a bordo, a “imediata”, a enfermeira e eu, a menina que vem fazer umas gravações. Da restante tripulação perdi a contagem.

 

Levo comigo o livro as Ilhas Desconhecidas de Raul Brandão que começa dizendo: “enquanto a gente vê terra, não tira os olhos - não pode - dum resto de areal, dum ponto violeta que desmaia e acaba por desaparecer na crista duma vaga. Um ponto e acabou o mundo. O nosso mundo agora é outro. Durante um momento calamo-nos todos a bordo.”

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Autorização do Capitão de Mar e de Guerra

Para visitar as Ilhas Selvagens, um dos territórios mais remotos de Portugal, só é possível com barco próprio ou fazendo viagem no barco da marinha que lá vai de 15 em 15 dias para render os vigilantes da natureza e os polícias marítimos que lá estão. Para ir é sempre necessário pedir autorização.

Na 3º vez que pedi, passado 1 ano e meio o Comandante de Mar e de Guerra, responsável pela zona marítima da Madeira autorizou.

Assim e mbarquei no navio patrulheiro da marinha -  Mondego, para uma viagem de 15h para chegar à Selvagem Grande.

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Arco-íris duplo à chegada da ilha

Pelas 7h da manhã quando se começava a avistar a Selvagem Grande, abriu-se no céu o arco-íris, este fenómeno encantado.

Em várias culturas o arco-íris representa uma transformação simbólica da vida, uma ponte entre a terra e o céu. E de facto a sensação à chegada é de uma travessia para fora da terra, pois estas ilhas remotas, foram chamadas de “Selvagens” por serem “hermas e desconversaveis assi de navegação como de gente.” como disse Gaspar Frutuoso.

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Chegada ao palco

A Selvagem Grande é uma ilha formada por um planalto ou platô, uma superfície alta e plana que parece um palco natural! Lá em cima “entrei em cena”!

Como não há marcos geodésicos, ponto cartográficos para nos situarmos, mas sim um marco astronómico, a orientação é a das estrelas.

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Uma dança quieta

Vesti o meu “onesie”, um fato ainda dos tempos da escola e fiz uma dança pequena e quieta, tentando tornar-me semelhante à vegetação herbácea que aqui vive! Apesar destas ilhas se chamarem “Selvagens” o seu ambiente, a sua vida é contrariamente ao nome, bem serena e quieta.

Fez-me lembrar a canção tradicional dos Açores:

“Eu fui à terra do Bravo

Bravo meu bem

Para ver se embravecia

Cada vez fiquei mais manso…"

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Selvagens - reserva natural

Estas ilhas são santuários de pássaros, sobretudo aves marinhas que são os seus principais habitantes juntamente com a osga endémica de cá e as lagartixas.

Nesta altura do ano, de nidificação, há centenas de ninhos de cagarras. A cada passo há um ninho, o que torna surpreende a força de uma terra que tem pouca presença de ser humano.

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Nas vésperas de partir da ilha mais um arco-íris

Muitos azuis, muitas águas. Tons intensos neste ar em movimento que engolem o som. Engolem o mundo numa explosão de ar e água. Como diz Raul Brandão nas “Ilhas Desconhecidas”: envolve o mundo uma pasta de algodão em rama, um vapor incorpóreo que apaga as cores, imobiliza a paisagem e faz do mar atmosfera.

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Islomania

Vou de regresso, mas por mim ficava.

Islomania dizem ser uma doença agradável, onde existe uma obsessão por ilhas.

Não sei se sofro deste mal suave, mas tenho, de certo, uma fixação por ilhas. Nasci numa e esta natureza insular entranhou-se-me no corpo logo à partida.

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Golfinhos do Atlântico

Almariada é uma coisa, náusea é outra! No regresso o mar está invulgarmente calmo, como dizem os vigilantes da natureza que normalmente apanham viagens com o mar bem bravo. No entanto, tive uma súbita náusea que me fez fugir para o convés do barco. Enquanto recuperava, qual não foi a surpresa de ver um grupo de golfinhos! Há quem diga que simbolizam protecção e ou representam o guia. Assim o seja.